sábado, 5 de fevereiro de 2022

Treinadores - a nova tendência dos grandes portugueses



As crises financeiras trazem novas oportunidades.

Quando os clubes/SAD's se vêm privados de contratações, viram-se para dentro, seja para a formação, seja para o mercado nacional.

Nos anos mais recentes, tem sido o caminho do FC Porto, do Sporting e do Sp. Braga.


Os resultados desportivos estão à vista, pois são os últimos campeões.


Hoje, ao ver a capa do jornal Record sobre o perfil do novo treinador Benfica, estava a ver o perfil de Sérgio Conceição, Ruben Amorim ou Carlos Carvalhal. Treinadores jovens, carismáticos e que fazem da aposta na formação no mercado português a sua bandeira.

Claro que isso tem custos desportivos no curto prazo, como está a acontecer ao Braga esta época, mas é um investimento para o futuro haja paciência.

Sérgio Conceição, líder do campeonato, está no FC Porto há 5 épocas. Foi duas vezes campeão e não foi por ter perdido três campeonatos que foi escorraçado. Bem pelo contrário. Tem valorizado jogadores como Luíz Diaz ou Sérgio Oliveira e potenciou a formação com Diogo Costa, Bruno Costa, Vitinha e Fábio Vieira como titulares na última jornada, João Mário e Francisco Conceição foram suplentes utilizados. Estamos a falar de 6 jogadores "Made in FC Porto".

Ruben Amorim está no Sporting há 2,5 anos, depois de muitas travessias no deserto. Foi campeão ao fim de décadas e pautou-se pela aposta intensa na formação. Gonçalo Inácio, Palhinha, Tiago Tomás, Jovane, Daniel Bragança e Matheus Nunes são os expoentes. Por outro lado, com menos dinheiro que os rivais apostou no mercado nacional, com Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Paulinho e Ugarte a serem titulares indiscutíveis.

Já no Sp. Braga, Carlos Carvalhal está no clube há 2 épocas e beneficia de dois fatores: as apostas de Abel Ferreira, o sucesso desportivo de Ruben Amorim e a recente Cidade Desportivo que permitiu captar os melhores jogadores da região Norte. No último jogo, Bruno Rodrigues, Vitinha, Francisco Moura e Rodrigo Gomes somaram minutos, aos quais se juntam outros nomes a despontar como David Carmo e Roger Fernandes. Uma aposta corajosa de Carvalhal, com alguns custos é certo, mas no caminho ideal.


O Benfica, por sua vez, anda a desbaratar dinheiro em estrelas brasileiras e em treinadores de ego cheio. Tinha tudo para ser mais forte, mas está-se a revelar mais fraco. Mais uma época no "seco", sem vitórias e sem títulos. João Félix e Bernardo Silva são os nomes mais sonantes numa aposta tímida na formação que Bruno Lage procurou contrariar. Atualmente, Paulo Bernardo e Gonçalo Ramos são as apostas mas demasiado tímidas. O Benfica deve seguir o rumo dos rivais até porque tem infraestruturas e estrutura para isso. Tem de encontrar o treinador certo: carismático e sem medo dos jovens. 

Para estes sucesso, contribuíram as equipas B's.


No deserto que são os restantes clubes, destaco dois clubes: o histórico V. Guimarães. Desde Rui Vitória, que não tem havido quem aposte nos jovens vitorianos. Diga-se também com muita instabilidade no comando técnico. Dos juniores promovidos nessa altura de crise, nenhum singrou (Ricardo Pereira, Paulo Oliveira, Tiago Rodrigues). Pepa tem timidamente apostado, mas as exibições têm sido muito irregulares.

O outro clube é o Boavista que tem no seu banco de suplentes uma série de jovens boavisteiros das camadas jovens. Porém, como habitual, têm tido zero oportunidades. Nem Petit nem João pedro Sousa ousam dar-lhes minutos.

domingo, 16 de maio de 2021

Liga NOS 20/21: Sporting campeão com pódio completo



Começa a cair o pano sobre a Liga NOS 20/21, um campeonato sem público nas bancadas (excetuando alguns jogos do Santa Clara). O Sporting sagrou-se campeão, o FC Porto vice, o Benfica em 3º, Sp. Braga em 4º e o Paços a surpreender.


Sporting

Com um plantel barato, jovem e da formação, mas com um treinador caro. O Sporting contrariou a tendência dos últimos 19 anos e sagrou-se campeão.

Esta época teve a particularidade de não haver o famoso "Tribunal de Alvalade". Não sei que influência teve, mas sem assobios e alguns fantasmas destrutivos e intestinos do passado, a verdade é que os resultados apareceram.

A pressão sobre Ruben Amorim era muita pelo preço que custou. Com um discurso sereno e humilde, ganhou o balneário. Contratou pouco e bem (Nuno Santos ao Rio Ave, Pedro Gonçalves ao Famalicão, João Mário ao Inter e Porro ao Valladolid). Houve margem para promover jovens da formação (Daniel Bragança, Tiago Tomás, Jovane Cabral, Inácio, Matheus Nunes e Nuno Mendes) com sucesso. Jogadores a custo zero, muito talentosos que superaram toda a concorrência.

Vem aí o assédio, os milhões da Champions e é uma oportunidade única para pôr as contas em ordem.


FC Porto

Perdeu o campeonato com 8 empates e 2 derrotas, mas garantiu os milhões da Champions. 29 golos sofridos! Danilo e Alex Telles deixaram saudades com uma defesa fraca. Muitos dos jovens promovidos no sucesso da época passada foram vendidos e isso também se refletiu.

Sérgio Oliveira foi uma das figuras da época com os reforços Grujic, Taremi (Rio Ave) e Tony Martinez a portarem-se bem.

A manchar a época ficou a agressão a um repórter de imagem pelo um empresário integrado na estrutura do clube. Que leituras pode ter no não atingimento no objetivo de ser campeão?


Benfica

Muito ego, muitas promessas e poucos resultados. A culpa nunca é interna: ou é do covid, ou é do árbitro ou é do anti jogo do adversário. O Benfica pecou na falta de humildade e isso faz a diferença para o Sporting. O Benfica tem um plantel melhor, na minha opinião, com mais qualidade, talento e por conseguinte, mais caro. 

A saída de Ruben Dias no fim do mercado de Verão não ajudou, mas desengane-se quem desvalorizar este plantel que pode vir mais forte na época futura.


Sp. Braga

Pena esta fase final em foi aos tropeções (reflexo da saída de Paulinho). Boa época apesar de tudo. No seu habitual 4º lugar, com mais jogadores a serem valorizados (poucos da formação esta época).


P. Ferreira

O Paços foi dos poucos clubes a manter o treinador da época 19/20, bem como grande parte do plantel. Isso refletiu-se nos bons resultados. Pepa construiu um bom grupo, com vitórias contra os adversários que lutavam pela permanência. Assusta-me já os adversários começarem a despelar o castor (o treinador já vai, Bruno Costa e Eustáquio também vão para a concorrência).

domingo, 13 de dezembro de 2020

Treinos sem competição - covid 19

 A pandemia está a trazer as consequências esperadas nas competições desportivas.

Apenas os seniores estão a competir e mesmo assim com paragens constantes.

Nas camadas jovens, os campeonatos nem sequer começaram. Os clubes mantêm uma espécie de "treinar para aquecer" e mesmo assim nem todos. Apesar da inexistência de competição, é fundamental para manter a população jovem ativa e retirá-la de casa e dos computadores/consolas. O esforço sanitário tem de ser feito por todos, desde atletas, treinadores, clubes e pais.

Numa altura em que o futebol está tão monetizado, estas paragens trazem duros revés financeiros para as instituições, sobretudo aquelas que viviam (e vivem) acima das suas possibilidade.

O primeiro semestre da época está perdido e o segundo vai pelo mesmo caminho. Neste entretanto, os clubes não conseguem rentabilizar os seus ativos, nem haverá montra para mostrar. 

Porém, o mais importante que é o desporto como essência, continua nos treinos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Liga BPI 20/21: Antevisão



Esta edição da Liga BPI tem mais equipas. Isso é bom porque os planteis parecem estar bem reforçados, com muitas caras novas e talentosas e bastante equilíbrio nas séries. Os três grandes desinvestiram nesta época abrindo espaço a jogadoras mais jovens e pouco mediáticas.


8 equipas foram beneficiadas com a subida administrativa. As grandes apostas na 2ª Divisão em 19/20 estão agora na Liga BPI.


A Zona Norte é a mais equilibrada.

Coloco Sp. Braga e Famalicão num patamar.  Depois Valadares, Condeixa e Gil Vicente noutro.

O Sp. Braga parece ter desinvestido no plantel, com várias saídas importantes como a Francisca Cardoso, a Vanessa, a Barbara e Rute Costa. Sem grandes reforços, mantiveram-se Lara Luís e Dolores Silva.

O Famalicão manteve a sua estrutura-base reforçando-se com Rute Costa na baliza e 9 jogadoras estrangeiras. Foi buscar (e pagar) talento fora. João Marques mantém-se na liderança.

Depois temos as restantes oito equipas que estão ao mesmo nível e vai ser esse equílibrio que vai tornar o campeonato interessante.

O Valadares manteve o plantel e a equipa técnica da casa (Nuno Oliveira e Joana Oliveira). Várias brasileiras que chegaram do Paio Pires e Lúcia Alves são os grandes reforços numa equipa sem grandes saídas.

O Gil Vicente renovou grande parte do seu plantel. Apostou num treinador jovem mas com experiência. As contratações foram cirúrgicas. Jogadoras bem conhecidas do treinador e da liga portuguesa (grande parte delas foram treinador por José Rui Pereira no Vilaverdense). Jogadoras medianas que colocam o Gil Vicente bem posicionado para 1ª parte da classificação.

O Boavista tem um plantel muito jovem e teve um campeonato fácil na época passada. Parece-me um pouco frágil face à concorrência. Porém apresenta reforços norte americanas conhecidas do treinador Fábio Barros. E isso equilibra o plantel.

O Fiães foi uma enorme surpresa na época passada! Paulo Campino fez um grande trabalho e vai agora apresentar as suas atletas à Liga BPI. Muita curiosidade para as conhecer, porém a falta de experiência pode ser um problema.

A Ovarense costuma ter muitos problemas e tem-se mantido sempre  "à rasca". Esta época manteve as suas figuras o que é bom porque dá consistência e progresso no trabalho feito e foi-se reforçar ao Algarve. Espera-se uma equipa equilibrada.

O Albergaria mantém a sua treinadora de há anos. A única mulher na Zona Norte. Manteve a sua estrutura-base e a garra habitual.

O Cadima teve muitas dificuldades na época passada. Esta época não traz reforços significativos. Mantém o plantel jovem, o seu treinador ambicioso (mas tem que tudo para provar ...) e foi buscar jogadoras ao Lordemão. Antevejo dificuldades.

Por fim o Condeixa. Surpreendeu-me José Sobral sair. Chegou Marco Ramos, mais um treinador da Zona Centro com futebol feminino no currículo e que tinha andado "escondido". Manteve o plantel forte de outras épocas e manteve a sua melhor jogadora: a Tita. Expetativas elevadas para uma época tranquila. 


Agora a Zona Sul.

Acho-a muito mais competitiva que a Zona Norte. Não vai ser uma série nada fácil! Muito talento e aposta dos clubes participantes.

Coloco Benfica, Sporting e Amora como favoritos. 

Torreense, Estoril, F. Benfica e Marítimo num patamar. 

Os restantes vão lutar para não descer e decidirem-se nos confrontos diretos.


O Benfica desinvestiu no futebol feminino. Dispensou as caras jogadoras internacionais estrangeiras (incluindo Darlene), bem como algumas atletas nacionais para a Zona Norte. Vão surgir novas protagonistas da formação e chegam Carole Costa e Matilde Fidalgo. Mantém Cloe e Dani. Não vai ser a equipa arrebatadora da época passada, mas vai lutar pelo título.

O Sporting manteve Susana Covas e também desinvestiu. Saiu Diana Silva, mas mantiveram-se as guarda redes, Ana Borges, as Pintos e Raquel. Entrou Mónica Mendes. As melhores estão lá e tornam a equipa mais forte. Candidata ao título.

O Amora promete muito. Um plantel estruturado, com as dispensas dos candidatos e muito competitivo. Um misto de jovens internacionais talentosas com jogadoras experientes. O treinador Ademar Colaço vai-se estrear na Liga BPI. Candidato claro à primeira parte da tabela.

F. Benfica é um histórico. Mantém a sua treinadora, Madalena Gala, e mais uma vez manteve o seu núcleo duro. Sem entradas nem saídas de registo, o que significa expetativas alinhadas com a época anterior.

O Estoril mantém a sua equipa discreta, sem grandes individualidades mas muito regular. Há uma grande aposta na formação. Por isso vai estar na luta pelos lugares do meio da tabela.

O Marítimo, desde que está, na 1ª Liga apresenta-se com planteis muito interessantes, praticamente só com madeirenses e com 3 ou 4 desequilibrados. Elas mantêm-se no plantel, que esta época profissionalizou algumas das suas atletas.

O Torreense manteve o seu experiente treinador, Nuno Cristóvão, e a base do plantel que valeu a subida administrativa. Isto significa uma antevisão de uma época tranquila e muita curiosidade para conhecer estas atletas de um projecto muito forte para 2ªD na época passada.

Agora, um terceiro grupo que parece abaixo dos restantes:  A dos Francos, Ouriense e Damaiense.

O A dos Francos na época passada atrasou-se muito na preparação e quando deu por si já não tinha atletas disponíveis. Isso refletiu-se na péssima época que fez, com um plantel muito fraco para a liga principal. Esta época contratou Isabel Cardoso (mais uma mulher- treinadora). Apostou forte em jogadoras internacionais e é uma incógnita.

O Ouriense tem um plantel interessante. O problema é que a concorrência está acima. Vai dar luta e vai vender caro os seus jogos. Renato Fernandes vai ter um grande desafio pela frente e as suas jogadoras vão ter uma montra.

Por fim o Damaiense, que subiu devido a uma perda administrativa de pontos do Atlético. Contratou o treinador das juniores do Benfica e obteve a cedência de 10 (!!!) juniores do Benfica. Não sei qual o interesse disto e sequer se a FPF deveria permitir. Os jogos entre Damaiense e Benfica terão um enorme conflito de interesses. Esta situação além de não fazer sentido, tira interesse.

domingo, 2 de agosto de 2020

Estruturas diretivas cada vez mais profissionais


Olhando para a primeira metade da tabela classificativa da Liga NOS 19/20 verificamos a existência comum a todas as SAD's do profissionalismo da sua estrutura. Abaixo do presidente "estatutário", existe um CEO/diretor desportivo e uma aposta crescente na comunicação.

Se nos três grandes, já existe há algum tempo, com melhor ou pior sucesso, nos restantes o sucesso das últimas épocas assim o demonstra.
Luís Gonçalves, Tiago Pinto/Rui Costa e Beto Severo/Hugo Viana são os homens fortes dos bastidores do dirigismo desportivo.

Sp. Braga
António Salvador - Rui Casaca - André Viana*

O quarto grande já tem há bastante tempo a sua estrutura altamente profissional. Uma aposta vincada na formação, com uma hierarquia técnica bem definida e com resultados.
A nível da comunicação, excelente desempenho com as redes sociais, os vídeos criativos, o Braga Day no centro da cidade, a página atualizada da "Cidade Desportiva" e o canal de vídeo "Next", além do brand name Gverreiros do Minho

* Em 20/21, André Viana aceitou o desafio de lançar a comunicação do V. Guimarães e virá Alexandre Carvalho do Recor

Rio Ave
António Campos - Marco Carvalho/André Vilas Boas - Vítor Ramos

Um dos clubes que mais tem evoluído com o 2º apuramento europeu a premiar.
A proximidade com Jorge Mendes, umas redes sociais cada vez mais dinâmicas e sobretudo uma estrutura muito profissional têm feito sucesso. Muito do sucesso deve-se a Miguel Ribeiro que começou a profissionalização do zero.
A nível da comunicação há uma grande proximidade com os sócios e um site muito atualizado com muitas notícias das modalidades e formação. É dos poucos clubes com LinkedIn.

Famalicão
Jorge Silva - Miguel Ribeiro - ?

Miguel Ribeiro é o CEO da SAD. Com o background do Rio Ave, profissionalizou o futebol em Famalicão. Foi muito bem sucedido. Um dos nomes mais influentes do dirigismo, com muita competência. O Famalicão está no seu processo normal de maturidade, tendo igualmente criado as bases na formação em 19/20, com a  criação da equipa sub 23 e de um departamento de scouting.
Falta uma aposta convicta na comunicação e nas redes sociais, pois tem uma base adepta larga. O site tem pouquíssimas notícias e da formação pouco ou nada se promove.
O grande teste ao sucesso do projeto desportivo será em 20/21.

V. Guimarães
Miguel Pinto Lisboa - Carlos Freitas - André Viana

Em 19/20 fizeram-se as contratações e em 20/21 haverá os primeiros resultados. Uma das grandes lacunas do Vitória tem sido a falta de profissionalismo na estrutura, sempre muito dependente das asas dos seus vice-presidentes. O resultado tem sido alguma irregularidade nas classificações. Para a próxima época, o Vitória vai seguir os bons exemplos. A mesma mudança se vai ver na formação.

Santa Clara
Rui Cordeiro - Diogo Boa Alma

Diogo Boa Alma tem sido dos diretores desportivos mais competentes que temos visto nos últimos meses, tal a cirurgia que tem tido nas contratações, quer de treinadores, quer de jogadores, com a subida e manutenção na Liga NOS. Um dos grandes desafio deste clubes são as infraestruturas de que (não) dispõe. Esperamos que alguns dos euros das mais valias arrecadadas na venda de jogadores sejam aplicadas num centro de treinos.

Nos restantes clubes, seja por sede de poder dos presidentes, seja por falta de visão, seja por falta de dinheiro, ainda há poucos diretores desportivos e diretores de comunicação que façam a diferença

domingo, 26 de julho de 2020

Liga NOS 19/20: 34ª Jornada

Resumo da época:
- FC Porto campeão       Acesso direto à Liga dos Campeões
- Benfica: 2º lugar          Pré eliminatória Liga dos Campeões
- Sp. Braga: 3º lugar       Fase de grupo Liga Europa
- Sporting: 4º lugar        Pré eliminatória Liga Europa - 3ª
- Rio Ave: 5º lugar         Pré eliminatória Liga dos Campeões -2ª

V. Guimarães - fora da Europa Desilusão
Sporting - fora do pódio Desilusão

Famalicão - Surpresa

D. Aves - falido, condenado à desistência e mais uma vítima de má gestão Desilusão

Melhor marcador: Vinicius e Pizzi (Benfica) e Taremi (Rio Ave)

Promovidos: Nacional e Farense

- "Pré" e "Pós" Covid
Foi uma época atípica com a paragem devido ao confinamento e jogos à porta fechada. Como em tudo, umas equipas saíram beneficiadas outras prejudicadas.

- Aposta em jovens
Deste final de época, ficou a aposta intensiva em jovens da formação pelos grandes, com muitos e bons talentos a serem apresentados. O sucesso é relativo, mas foi uma aposta ganha.

- Treinadores lusos
Desta época, continua a aposta massiva em treinador portugueses (a exceção foi o Tondela). Verificamos também que os treinadores "P" - Pepa e Petit devem ter das maiores resistências cardíacas em Portugal.
Pela negativa realço o sangue quente dos dirigentes que estão sempre a trocar de treinadores. No Sporting foi um exagero. 4 treinadores por vontade própria. No Sp. Braga foram 5 mas apenas 3 por culpa própria.
Sérgio Conceição, Carlos Carvalhal, João Henriques, Natcho Gonzalez, Vitor Oliveira, JP Sousa (6/18) foram as exceções de regularidade.

- Vítor Oliveira e o Gil Vicente
O Gil Vicente teve de construir uma equipa toda do zero, mas jogou pelo seguro ao contratar Vítor Oliveira, um dos mais competentes treinadores portugueses. Rei das subidas, correu muito bem. Objetivos tranquilamente conseguidos.
Deixa uma herança pesada.

- D. Aves
Uma vergonha. Pede-se mais regras aos reguladores, apuramentos e consequências criminais e dirigentes com menos olhos que barriga.

sábado, 11 de julho de 2020

Análise da Liga NOS 19/20 pós COVID

A Liga NOS voltou e em Julho, em vez de termos seleções, temos futebol de clubes. 
Uma nova realidade.

Neste pós confinamento, houve equipas que vieram melhores, outras piores, com "novas" revelações (sobretudo jogadores jovens e portugueses) e treinadores despedidos.
Quanto à questão da qualidade dos espetáculos, acho uma falsa questão. Futebol lento e mal jogado sempre houve.
Vejamos então os grupos de equipas.

- FC Porto
Um dos grandes vencedores desta 2ª fase. De 1 ponto passou para 8 de avanço.
Mérito e sorte da fraqueza do adversário.
Surpreendeu no empate nas Aves e derrota em Famalicão, mas de resto e sobretudo contra o Belenenses foi uma máquina.
Não teve Marcano, Zé Luís eclipsou-se, mas o Porto apresentou-se seguro e com processos bem construídos. Alex Teles e Corona são os mais influentes da equipa e que valem pontos.
Sem a equipa B a jogar, o treinador conseguiu promover uma das maiores revelações: Fábio Vieira.
Outros jovens somaram minutos, mas este vai longe.

- Benfica
O maior derrotado.
Com o treinador Bruno Lage, a defesa cometeu erros. Muitos e graves (sobretudo Ferro). Caiu o timoneiro, caiu a esperança de ser campeão e entrar diretamente na Liga dos Campeões. Com bastante estrondo. Uma equipa quase vulgar, onde Pizzi se salva.

- Sporting
Muita curiosidade para ver como Ruben Amorim montava a equipa. O estilo de comunicação e aposta massiva em jovens da formação surpreenderam. O treinador "estrelinha" não perdeu um único jogo até agora, mas teve adversários mais fracos.
Apesar das expetativas postas pelo presidente em Matheus Nunes, foi Eduardo Quaresma o rei da regularidade e Jovane Cabral a surpresa.
O Sporting é um dos grandes vencedores até agora. Passou de 4º para 3º, recuperando 9 pontos.

- Sp. Braga
Outro dos derrotados.
Custódio é o nome da desgraça. Apresentar resultados não é para todos.
Com Artur Jorge, a equipa recuperou e Paulinho brilha. Chama a atenção a quantidade de golos portugueses nesta equipa. O goleador português é uma das confirmações até agora.
O Sp. Braga lambe as feridas, mas perdeu muito o que de bom Ruben Amorim conseguiu e caiu para 4º lugar.

- Rio Ave
Manteve o 5º lugar europeu e está na luta. Taremi continua a afirmar-se.

- V. Guimarães e Famalicão
Apesar de na tabela pouco ter mudado, a situação é distinta.
O V. Guimarães tem um plantel muito bom e agora não há desculpas para não haver resultados. Há muito para refletir sobre Ivo Vieira e os seus resultados nesta 2ª fase. Um Vitória muito aquém.
O Famalicão vinha em decrescendo, mas recuperou. Porém, vamos ver como acaba.
Seja como for, muito mérito para João Pedro Sousa e sobretudo para o scouting. Muitos jovens talentosos, mas inexperientes. A manutenção foi conseguida.

- Boavista, Santa Clara e Moreirense 
Um grupo de equipas que manteve a regularidade evidenciada. 2ª fase equilibrada sem surpresas. Quanto a Daniel Ramos, não gosto do seu estilo de treinador e continuo sem perceber o que moveu a direção do Boavista a contratá-lo.

- Marítimo e Gil Vicente
Um mau arranque na 2ª fase levantou alguns sustos, porém conseguiram a permanência com antecedência. Muito mérito para Vítor Oliveira. Um plantel novo, sem qualquer experiência na Liga NOS e com os objetivos alcançados.

- Belenenses e Portimonense
Mantiveram a irregularidade a que nos habituaram ao longo da época. No caso de Portimão, é estranho como um plantel com tantas individualidades fez uma época tão má.

- P. Ferreira
Um dos grandes vencedores da 2ª fase. Pepa trouxe uma equipa rejuvenescida com Tanque a ser o joker da equipa.

- Tondela e V. Setúbal
De 11 e 13 pontos de avanço, passaram a apenas 3. Péssimo regresso. Uma das grandes desilusões.

- D. Aves
Comandados pelo treinador "coitadinho", conseguiram um empate com o FC Porto. De resto, muitos jogadores da equipa sub 23, muitos problemas financeiros ... acabou despromovido.

Concluindo:
Os vencedores: FC Porto, Sporting e P. Ferreira
Os derrotados: Benfica (Ferro), Braga (Custódio), Tondela e Setúbal
Revelação: Fábio Vieira e Eduardo Quaresma
Surpresa: Jovane Cabral
Confirmação: Paulinho do Braga

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Liga NOS 19/20: Grandes com fraca performance

As jornadas pós confinamento da Liga NOS têm sido marcadas por um maior equilíbrio de forças entre os clubes.
Os grandes estão mais fracos e os pequenos estão mais fortes.

Ao nível exibicional, têm sido jogos pobres, sem nota artística, com muitos falhanços.
Alguns clubes têm aproveitado para lançar jovens das suas camadas de formação, já a preparar o emagrecimento forçado dos orçamentos. Essa aposta tem sido mais evidente nos grandes - FC Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga a dar minutos a jovens.

Essa inexperiência justifica alguma irregularidade dos grandes. Algum relaxamento, a ausência da força dos adeptos e sobretudo uma maior confiança dos pequenos completam as razões.

Lista de jovens da formação utilizados:
- FC Porto (5)
Fábio Vieira, Vitor Ferreira, Tomás Esteves, Fábio Silva e Diogo Leite
- Benfica (4)
Jota, Ferro, Nuno Tavares e Tomás Tavares
- Tondela (2)
Tiago Almeida e Ruben Fonseca
- Sporting (5)
Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Mendes, Pedro Mendes e Jovane Cabral
- Sp. Braga (2)
David Carmo e Trincão
- Rio Ave (1)
Ruben Gonçalves

sexta-feira, 1 de maio de 2020

COVID 19: Retoma do futebol

O futebol já tem data para ser retomado, pelo menos no que à Liga NOS diz respeito.~
A comunicação não deixa margem para dúvidas: é preciso que as condições assim o permitam.

Não deixa de ser irónico que alguns comentadores afetos ao FC Porto, sempre tão acérrimos a defender Rui Pinto (o qual concordo), venham agora criticar esta decisão. Dá a entender que querem a vitória na secretaria. Reivindicam uma espécie de Justiça de primeira quando é contra o clube deles, mas quando é a favor já defendendem o status quo.

Acho bem que o futebol volte porque há muito economia à volta dele e porque os jogos serão à porta fechada, restando saber o canal. Porém acho melhor ainda avaliar as condições de segurança mais em cima.

Quanto à 2ª Liga, não faz sentido continuar com ela. Mais vale fazer subidas administrativas. Não é o mais justo, não, mas é o mais razoável porque se já há pouco público com os estádios abertos, com estádios fechados vai haver jogos que não interessam a ninguém. Nacional e Farense seriam os promovidos.

sábado, 28 de março de 2020

COVID19 - Campeonatos parados e muito prejuízo

O COVID.19 fez parar tudo, inclusivé as nossas vidas.
Vamo-nos focar no desporto e em particular no futebol.

Perante a suspensão dos campeonatos, os clubes ficaram com as suas receitas suspensas:
i) Não se vendem bilhetes
ii) Não se vendem bens e o pouco merchadising vendido online pouco ou nada gera.
Mesmo no e-commerce são pouquíssimos os clubes com lojas online. Aí está uma boa oportunidade para os clubes criarem lojas online (em marketplaces por ex.)
iii) Não se vendem sandes e cervejas nos bares
iv) Não há as receitas televisivas porque não se transmitem jogos (aqui a liquidez depende do momento do pagamento da SportTv)
v) Não se concretizam transferência de jogadores
vi) Não há receitas das competições europeias (já não havia, mas em Setembro pode não haver)
vii) Não há patrocínios dado as dificuldades das empresas (embora para o futebol haja sempre quem colabore nem que tenha de despedir funcionários).

Sobram as quotas dos associados que estão por débito direto. Quem apenas tem cobradores também não as vai receber.
Sobram os lugares anuais, cuja receita não deve ser devolvida aos sócios.
Quanto mais se prolongar esta ausência, mais tarde se recupera.

Neste intermédio, há custos aos quais os clubes não têm por onde fugir: salários.
E sem receitas, não há como pagá-los a não ser o recurso ao crédito bancário onde as garantias (passes e as poucas contas a receber ainda não entregues) também saem desvalorizadas.
Nos restantes custos como organização de jogos, polícia, electricidade, gás e afins também são muito reduzidos (a parte boa!).

O que esperar das próximas semanas?
Sem receitas, haverá apenas as quotas dos associados e é possível que alguns desistam desse custo se estiverem em situação desemprego. Os patrocinadores também vão desaparecer porque haverá outras preocupações. Os restantes clubes europeus não vão estar a contratar porque vão ter os mesmos problemas. Terão então de ser cortados os salários dos jogadores, pois não vai haver elites.
Ao nível de custos fixos (seguros e deslocações aquando do recomeço), a UEFA e a FPF podem deitar a mão aos clubes.

Mas lá que haverá um futebol mais pobre face aos últimos anos, isso vai haver porque os níveis estavam muito elevados.
Nos restantes desportos, incluindo as vertentes femininas, vai haver desistências por incapacidade financeira e o regresso ao amadorismo, sem subsídios.
Vai ser necessariamente mau?